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Nossa Senhora das Neves

Entre as antigas cidades do Brasil, a que talvez mais vezes mudou de nome foi a de João Pessoa, capital do Estado da Paraíba. Sua conquista foi difícil e demorada devido aos constantes ataques dos índios Potiguares, aliados aos franceses que dominavam o litoral nordestino. Finalmente, na penúltima década do século XVI, o capitão João Tavares conseguiu fazer um pacto de amizade com o valente Piragibe, cacique dos Tabajaras, e unidos expulsaram o inimigo. Este acordo realizou-se no dia 5 de agosto, no local onde se formou a aldeia, que em homenagem ao santo do dia recebeu o nome de Nossa Senhora das Neves.

Nossa Senhora das Neves

Pouco depois a pequena vila teve sua denominação mudada para Filipéia para agradar ao rei da Espanha, Filipe II, que se tornara senhor de Portugal e colônia, acumulando as duas coroas. Passaram-se os anos e em 1634 a Paraíba foi conquistada pelos holandeses e o povoado, que já contava com 1500 habitantes e dezoito ricos engenhos de açúcar nos arredores, passou a chamar-se Frederica, em honra de Frederico de Orange, governador da Holanda. O povo paraibano, contudo, não se sujeitou ao domínio batavo e organizou um movimento de reação chefiado pelo conhecido herói patrício André Vidal de Negreiros. Voltando a ser uma cidade brasileira, a capital provinciana trocou novamente de nome, passando a denominar-se Paraíba. Com esta denominação permaneceu vários séculos, até que em 1930 recebeu a designação de João Pessoa, em memória do presidente assassinado naquela fase crítica de nossa história política.

Entretanto, a Padroeira da velha cidade nordestina continua a ser Nossa Senhora das Neves, cuja imagem se mandou fazer logo que a bonita igreja barroca foi construída. Seu onomástico continua até hoje a ser celebrado com grandes festas, shows, parques e barracas.

Apesar do templo de João Pessoa ser mais conhecido, a ermida da Ilha da Maré, no Recôncavo Baiano, fundada em 1584, é uma preciosidade da arquitetura colonial brasileira e a imagem da Padroeira, de madeira estofada, é em estilo maneirista.

A invocação de Nossa Senhora das Neves, existente no Brasil não apenas em cidades do período inicial de sua civilização no Nordeste, como Olinda e Igaraçu, mas também nos Estados do Rio e do Espírito Santo, é um dos títulos mais antigos concedidos à Virgem Maria, pois data do século IV.

Diz a tradição que naquela época vivia em Roma um ilustre descendente de nobre família romana, o qual não possuindo herdeiros, resolveu em combinação com a esposa consagrar sua imensa fortuna à glória de Deus. Estava pensando seriamente no assunto, quando a Rainha do Céu apareceu-lhe em sonhos e disse-lhe: – “Edificar-me-eis uma basílica na colina de Roma que amanhã aparecerá coberta de neve”.

Era noite de 4 para 5 de agosto, época de maior calor  na Itália, mas no dia seguinte, devido a um estupendo milagre, o monte Esquilino estava coberto de neve. A população da cidade acudiu ao lugar do prodígio e até mesmo o papa Libério, acompanhado de todo o clero, para lá se dirigiu.

Logo depois de iniciada a construção, a basílica foi denominada de Nossa Senhora das Neves devido ao fenômeno climático. Este templo, no entanto é conhecido universalmente pelo nome de Santa Maria Maior por ser a mais importante entre todas as igrejas de Roma dedicadas à Virgem Santíssima. Seu teto foi dourado com o primeiro ouro proveniente da América. A corte da Espanha, depois de recebê-lo das mãos de Cristóvão Colombo, enviou-o à Cidade Eterna para ornamentar a mais bela igreja dedicada à Mãe de Deus, sob cuja proteção estava a nau em que Colombo partira para a descoberta do Novo Mundo.

Iconografia:

As representações européias de Nossa Senhora das Neves são geralmente pinturas sobre madeira, em estilo bizantino. Todavia, a imagem da Ilha da Maré, na Bahia, é uma estátua de madeira que mostra Maria Santíssima de pé, sem Menino, com a mão esquerda sobre o peito e a direita estendida, como para distribuir favores, Em algumas imagens portuguesas ela tem o Menino nos braços e ambos seguram flores.

Santa Ana e São Joaquim

Santa Ana, São Joaquim e Nossa Senhora ainda jovem.

O calendário litúrgico da Igreja Romana comemora no dia 26 de julho a memória de São Joaquim e Sant’Ana que a tradição identifica como pais de Nossa Senhora. O nome Joaquim é bíblico, e significa “o homem a que Javé Confirma”. Há vários personagens no Antigo Testamento com este nome. Com o nome de Ana, aparecem três mulheres na Bíblia: a mãe do profeta Samuel; a mulher de Raguel, parente de Tobias, e a profetisa Ana, que foi ao encontro de Jesus no dia de sua apresentação ao templo. Não há notícia deles na Sagrada Escritura, contudo, existe um livro venerável do século II do Cristianismo: Proto-Evangelho de São Tiago, que granjeou grande autoridade nas comunidades cristãs primitivas. É exatamente este livro que nos traz a mais vetusta tradição sobre os pais de Nossa Senhora.

Joaquim e Ana eram um casal distinto, mas viviam tristes e humilhados porque já estavam chegando à idade avançada e eram estéreis. Eram um casal justo e observante das leis judaicas. Possuíam uma certa fortuna que lhes proporcionava vida folgada. Dividiam suas rendas anuais em três partes: uma era conservada para as próprias necessidades; a segunda era reservada para o culto judaico e, finalmente, a terceira era distribuída entre os pobres. Eles continuavam rezando confiantes que Deus teria suscitados para eles uma descendência. Joaquim retirou-se ao deserto para rezar, onde permaneceu quarenta dias em jejum e oração.

Finalmente, um anjo apareceu a Joaquim comunicando-lhe uma boa notícia: “Joaquim, tua oração foi ouvida. Uma filha te será dada a quem darás o nome de Maria”. Também Ana recebeu um aviso do anjo: “Ana, Ana, o Senhor ouviu teu choro. Conceberás e darás à luz e, por toda a terra, falar-se-á de tua descendência”.

Ao voltar Joaquim para casa, eis que sua esposa atirou-se em seus braços exclamando cheia de alegria: “Agora sei que o Senhor derramou sua bênção sobre o nosso lar; pois eu era como uma viúva, era estéril mas agora meu seio já concebeu, seja bendito o Altíssimo!”. Então, fez o voto de consagrar a menina prometida por Deus ao serviço do Templo.

De Fato, a menina Maria foi levada mais tarde pelos pais Joaquim e Ana para o Templo, onde foi educada, ficando aí até o tempo de noivado com José.

A tradição não dá notícia da morte de Joaquim e Ana.

No entanto, o culto deles foi muito difundido na Igreja desde o século VI. Começou no Oriente e depois passou para a Igreja Romana. Neste caso, a devoção a Sant’Ana foi muito mais popular. Ela difundiu-se, sobretudo nos povos nórdicos, onde o nome Ana é mais usado. Também no Brasil, o culto a Sant’Ana é muito conhecido. Antes ela mereceu o título que só é reservado à sua Filha, isto é, Senhora Sant’Ana.

Fonte: Santo do Dia, O – DOM SERVILIO CONTI, I.M.C – ed Vozes

Nossa Senhora dos Prazeres

Imagem Nossa Senhora dos Prazeres em gesso com pintura italiana lavável

Imagem Nossa Senhora dos Prazeres em gesso com pintura italiana lavável

Bem antes da última peste que houve em Lisboa, em 1599, uma imagem da Mãe de Deus apareceu sobre uma fonte em Alcântara, na quinta dos Condes da Ilha. Essa fonte começou a ser chamada de “santa” porque sua água passou a curar várias enfermidades. Os condes levaram a imagem para sua casa, colocando-a em seu oratório. No entanto, certo dia a mesma imagem desapareceu do seu lugar para ser encontrada sobre um poço. Nossa Senhora manifesta-se, então, a uma menina, dando-lhe a missão de pedir aos vizinhos e familiares para ali construirem uma capela onde ela fosse venerada sob o título de Senhora dos Prazeres. As pessoas não duvidaram da criança e em pouco tempo a ermida foi erguida. A imagem foi ali depositada e os prodígios começaram a ocorrer.

Nossa Senhora dos Prazeres é a mesma Nossa Senhora das Sete Alegrias, devoção de origem franciscana.

As maiores alegrias ou os maiores prazeres de Maria Santíssima , que foram enumerados por um noviço franciscano, são os seguintes: a anunciação do anjo, a saudação de Isabel, o nascimento de Jesus, a visita dos Reis Magos, o encontro com o Menino no templo, a primeira aparição do Ressuscitado e a sua coroação no céu.

Portugal foi a primeira nação católica a festejar as alegrias de Maria.

No Brasil, Nossa Senhora dos Prazeres é padroeira da catedral e da diocese de Lages (SC), onde sua festa é celebrada em 15 de agosto. Na arquidiocese de Maceió, da qual também é padroeira, a festa é em 27 de agosto. No estado do Espírito Santo, no Santuário de Nossa Senhora da Penha, em Vila Velha, as sete alegrias de Nossa Senhora são comemoradas no domingo da Pascoela. Existem igrejas dedicadas a esta invocação também em Minas Gerais (Diamantina e Lavras Novas) e em São Paulo, na cidade de Piracicaba. O templo mais famoso é o que se situa nos Montes Guararapes, perto de Recife, que foi reformado e embelezado pelos Monges Beneditinos em 1782.

Senhora dos Prazeres, vinde encher de alegria a nossa vida.
Afastai de nós toda espécie de tristeza.
Rogai por nós, que recorremos a vós!

ORAÇÃO

Composta pelo Pe. Antônio Carlos D’Elboux

Nossa Senhora dos Prazeres, nossa mãe querida, lembrando-nos de vossas grandes alegrias: a Anunciação do Senhor, a Visita à vossa prima Santa Isabel, o Nascimento do Menino Deus, a Adoração dos Magos ao vosso divino Filho, o Encontro de Jesus no Templo, a Ressurreição de Cristo e a vossa gloriosa Assunção, queremos pedir vossa intercessão por nós e pelas nossas famílias junto a Deus. Que Ele nos livre das doenças e dos perigos, do desemprego e da desunião. Nossa Senhora dos Prazeres, ajudai-nos a sermos bons seguidores de vosso adorado Filho, lendo e refletindo a Bíblia Sagrada, alimentando-nos de Jesus na Eucaristia e participando ativamente de nossa Comunidade. Queremos viver o mandamento do amor para com todos e caminhar em nossa vida dentro da justiça, colaborando para a construção da paz e da fraternidade. Amém.

Fonte:  http://www.nossasenhoradosprazeres.com.br

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