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Orações para São Bento

Algumas orações para São Bento, lembrando que o dia em que comemora sua honra é 11 de julho.

Oração para alcançar alguma Graça.

Ó glorioso Patriarca São Bento, que vos mostrates sempre compassivo com os necessitados, fazei que também nós, recorrendo à vossa poderosa intercessão, obtenhamos auxílio em todas as nossas aflições; que nas famílias reine a paz e a traquilidade; que se afastem de nós todas as desgraças tanto corporais como espirituais, especialmente o mal do pecado. Alcançai do Senhor a graça… que vos suplicamos; finalmente, vos pedimos que ao término de nossa vida terrestre possamos ir louvar a Deus convosco no Paraíso. Amém.

Oração para alcançar uma boa morte
Ó Deus que com tantos e tão grandes privilégios honrastes a preciosa morte do glorioso Patriarca São Bento, cencedei, nós vô-lo pedimos, a nós que honramo a sua memória, que a hora de nossa morte, sejamos livres das ciladas e embustes dos inimigos pela presença daquele cuja memória celebramos. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.

A primeira parte desse post pode ser lida aqui.

Os requisitos para uso da medalha.

O uso habitual da medalha tem por efeito colocar-nos sob a especial proteção de São Bento, principalmente quando se tem confiança nos méritos de tão grande Santo e nas grandes virtudes da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo! São numerosos os fatos maravilhosos atribuídos à esta medalha. Ela nos assegura poderoso socorro contra as ciladas do demônio e também para alcançar graças espirituais, com conversão, vitória contra as tentações, inimizades etc. Igualmente, nos protege contra os acidentes de toda espécie; cura as doenças etc.

Medalha de São Bento

Contudo, a medalha não age automaticamente contra as adversidades, como se fosse um talismã ou vara mágica.

Todo Cristão, a exemplo de Jesus Cristo, deve carregar a sua cruz. Pois, é necessário que nossas faltas sejam expiadas; nossa fé seja provada; e nossa caridade purificada, para que aumentem nossos méritos.

O símbolo da nossa redenção, a cruz, gravada na medalha não tem por fim nos livrar da prova; no entanto, a virtude da cruz de Jesus e a intercessão de São Bento produzirão efeitos salutares em muitas circunstâncias; a medalha concede também, graças especiais para hora da morte, pois, São Bento, como São José, são padroeiros da boa morte.

Para se ficar livre das ciladas do demónio é preciso, acima de tudo, estar na graça e amizade com Deus. Portanto, é preciso Servi-lo e amá-lo, cumprindo, todos os deveres de justiça; em uma palavra, cumprimento de todos os mandamentos da lei de Deus e da igreja.  Nem o demônio, nem alguma criatura, tem o poder de prejudicar verdadeiramente uma alma unida a Deus.

Em resumo, o efeito da medalha de São Bento depende em grande parte das disposições da pessoa para com Deus e da observância dos requisitos acima mencionados. (Recomenda-se aos que usarem a medalha a rezarem diariamente as orações cujas iniciais estão na medalha, acrecentando o Pai Nosso, Ave Maria e Glória ao Pai).

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São Bento servia-se do Sinal da Cruz para fazer milagres e vencer as tentações. Daí, veio o costume, muito antigo, de representá-lo com uma cruz na mão.

São Bento

Através dos séculos, foram cunhadas medalhas de São Bento de várias formas. Desde o século XVII, começaram-se a cunhar medalhas, tendo de um lado a imagem do Santo com um cálice do qual sai uma serpente e um corvo com um pedaço de pão no bico, lembrrando as duas tentativas de envenenamento, das quais São Bento saiu, milagrosamente, ileso. O outro lado da medalha apresenta uma cruz e entre os seus braços estão gravadas as iniciais:

  • C S P B que em latim significa: Crux Sancti Patris Benedicti; (em português: Cruz do Santo Pai Bento).

Na haste vertical da cruz leêm-se as iniciais:

  • C S S M L: ou seja: Crux Sacra Sit Mihi Lux (A  Cruz Santa Seja Minha Luz).

E na haste horizontal:

  • N D S M D: ou seja: Non Draco Sit Mihi Dux (Não Seja o Dragão o Meu Guia).

No alto da cruz está gravada a palavra Pax: Paz que é lema da Ordem de São Bento. Às vezes Pax é substituído pelo monograma de Cristo: I H S (Jesus Homem Salvador).

A partir da direita de Pax estão as iniciais:

  • V R S N S M V: Vade Retro Satana. Numquam suade mihi Vana (Retira-te, Satanás, Nunca me aconselhe coisas vãs!).

E a seguir:

  • S M Q L I V B: ou seja: Sunt Mala Quae Libas Ipse Venena Bibas. (É mau o que ofereces; bebe tu mesmo os teus Venenos!

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(Veja a primeira parte…)

Sua pregação atraía muitas pessoas impressionadas pelas suas palavras e pelo seu exemplo de vida austera. O próprio Evangelho diz que ele vestia rude pele de camelo e alimentava-se com gafanhotos e mel silvestre.

João, em sua pregação, descreve, com figuras apocalípticas, o juízo iminente de Deus e exorta a todos à penitência dos pecados como única forma de escapar  da ira de Deus. Ao ver muitos fariseus e saduceus, que vinham para serem batizados, disse-lhes: “Raça de víboras, quem vos ensinou a escapar da ira iminente? Fazei, portanto, frutos dignos de conversão e não julgueis que vos basta dizer: ‘Temos por pai Abraão’, pois vos asseguro que Deus tem o poder de suscitar destas pedras verdadeiros filhos de Abraão. O machado está posto à raiz das árvores e toda árvore que não der bons frutos será cortada e lançada ao fogo” (Mt 3,7)

João Batista teve a sorte de batizar o próprio Cristo, embora protestasse ser indigno de desatar-lhe as sandálias. Ele apresentou oficialmente Cristo ao povo como Messias, com estas palavras: “Eis o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo… Ele vos batizará com o Espírito Santo e com o fogo” (Mt 3,11)

Detalhe para a imagem de São João Batista

Detalhe para a imagem de São João Batista

João morreu mártir pela fidelidade à sua missão de profeta, em denunciar publicamente o adultério de Herodes, que vivia em forma escandalosa com sua cunhada Herodíades. João foi preso, encarcerado na fortaleza de Maqueronte e, mais tarde, degolado a pedido da esposa adulterina de Herodes. Seus discípulos recolheram o corpo e lhe deram honrada sepultura.

O maior elogio dado a São João foi o de Jesus que o definiu: “Ele é mais do que um profeta. Jamais surgiu entre os nascidos de mulher alguém maior que João Batista. Contudo, o menor no Reino de Deus é maior do que ele” (Mt 11,11). João, de fato, pertence ao Antigo Testamento e nós ao Novo. Quem viver plenamente a redenção que nos vem de Cristo, já é maior, pela graça, que o profeta João!

Fonte: Dom Servilio Conti, O Santo do Dia, 4ª edição,  Petrópolis, Ed. Vozes, 1990, p. 274.

Poucos santos foram e são tão populares em todo o mundo cristão como São João Batista. Cantos, danças folclóricas, fogueiras e quadrilhas, foguetes além de procissões e mastros, são os aspectos típicos da festa de João Batista.

Ele é o único santo, além de Nossa Senhora, em que se festeja o nascimento, porque a Igreja vê nele a prenunciação do Natal de Cristo.

Os evangelistas apresentam com todo rigor a figura de João como precursor do Messias. Seu nascimento e missão foram anunciados pelo Anjo Gabriel ao pai Zacarias (Lc 1,5-25). Na circuncisão ele recebeu, por inspiração divina, o nome de João. Ele era seis meses mais velho do que Jesus, mas iniciou sua pregração pública à beira do rio Jordão, alguns anos antes de Cristo dar início a própria missão.

O evangelista São Lucas assim resume a infância de João: “O menino foi crescendo e fortificava-se em espírito, e viveu nos desertos até o dia em que se apresentou diante de Israel” (Lc 1,80).

Há autores que dizem que João se teria unido à seita dos essênios, tipo de monges rigoristas que viviam no deserto à beira do rio Jordão ou do Mar Morto, em forma comunitária, entregues à oração e à penitência.

O evangelho apresenta João Batista por ocasião do batismo de Jesus.

Com palavras incisivas e vibrantes, pregava a necessidade da conversão e do batismo de penitência. Suas palavras eram duras e veementes. Insitia com rigor na necessidade do fiel cumprimento dos deveres de estado. Argumentava com a proximidade da vinda do Messias prometido e tão esperado.

A originalidade desse profeta era o convite a receber a ablução com água no rio Jordão, prática chamada de batismo, e daí o apelido de Batista.

(continua no próximo post)

Fonte: Dom Servilio Conti, O Santo do Dia, 4ª edição,  Petrópolis, Ed. Vozes, 1990, p. 272.

(veja a 2ª Parte)

Santo Agostinho

Ontem a mãe Mônica, hoje o filho Agostinho: dois santos! Não existiria o segundo, se sua mãe não tivesse sido santa, gerando o filho à fé pelas orações e pelas lágrimas!

Santo Agostinho

Aurélio Agostinho nasceu em Tagaste, hoje região da Argélia, norte da África, em 354, filho de Mônica e Patrício: ela, santa esposa e mãe ele pagão rude e violento. Agostinho teve uma mocidade inquieta, m agitada pelas paixões e desvios doutrinais. Inteligência eleita, aguda, penetrante, depois dos desmandos da juventude, procurou a verdade e a redenção  do seu espírito irrequieto, através das filosofias, mas debalde. Formou-se brilhantemente em retórica e, ainda jovem, escrevia ensaios de poesia e filosofia…

Procurando maior glória, deixou Cartago, cidade de seus estudos, e foi para a capital do Império Romano, abrindo uma escola de retórica, mas ficou por pouco tempo, porque teve a nomeação oficial de professor de retórica e gramática em Milão. Aí, atraído pela fama do grande bispo Ambrósio, poeta e orador, começou a assistir aos sermões do santo bispo. Do apreço à forma literária da pregação, Agostinho passa ao apreço pelo conteúdo. Converte-se, recebe a instrução e é batizado por Santo Ambrósio, na Páscoa de 387. Tinha trinta e três anos e chegara ao término de um longo e laborioso processo de conversão, para o qual, além de sua sede de verdade, tiveram um papel importante as preces e as lágrimas de sua santa mãe.

O próprio Agostinho descreve o toque final da graça de Deus que o levou à conversão: “Enquanto, chorando debaixo de uma figueira, debatia-me entre sentimentos e forças opostas… de súbito, ouço uma voz que cantava e repetia muitas vezes: “Toma e lê, toma e lê…” Agarrei o livro (carta aos Romanos) e li para mim aquele capítulo que primeiro se apresentou aos meus olhos e eram estas as palavras: ‘Caminhemos como de dia; nada de desonestidades, nem dissoluções; nada de contendas nem de ciúmes; ao contrário, revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e não procureis satisfazer os desejos da carne’ (Rm 13,13s). Não quis ler mais nem era necessário; pois penetrou-me no coração uma espécie de luz serena e todas as trevas de minhas dúvidas fugiram” (Confissões, cap. X).

Com ele foi batizado também o filho Adeodato; jovem inteligentíssimo, que faleceu aos 15 anos de idade, com grande dor de Agostinho. Decidiu então voltar para sua pátria, a África, com sua mãe Mônica, que faleceu na viagem perto de Roma. Na África, com alguns amigos, iniciou uma vida comunitária, entregue à meditação, ao estudo da Bíblia, à oração e obras de caridade.

Mas, no dizer do Evangelho, a luz não pode ficar oculta. Agostinho foi procurado pelo bispo de Hipona, a fim de que o ajudasse na pregação, pois o bispo era velho e doente. Foi ordenado sacerdote e, pouco depois, com  a morte do bispo, Agostinho foi aclamado pelo povo como sucessor.

Agostinho, como pastor da diocese por 34 anos, revelou-se um bispo zeloso, vigilante, iluminado, pai dos pobres, mestre insuperável de espiritualidade, escritor fecundíssimo em todos os assuntos teológicos, defensor infatigável da ortodoxia.

Sua ação e influência pastoral não se limitou à pequena cidade portuária de que era bispo, mas rompeu as fronteiras, tornando-se uma espécie de oráculo de sabedoria teológica que a civilização antiga presenteou ao cristianismo. Ele foi definido o mais profundo pensador entre os escritores do mundo antigo e, talvez, o gênio metafísico mais portentoso que viram os tempos. Sua linguagem apaixonada e cálida, expressiva e pessoal, seduz, convence, comove. Seu pensamento iluminou quase todos os pensadores dos séculos posteriores. Entre suas obras quase todos os pensadores dos séculos posteriores. Entre suas obras imortais, emerge sua autobiografia Confissões e A Cidade de Deus, que é uma filosofia da história vista à luz da mensagem cristã.Santo Agostinho - Vitral

Santo Agostinho morreu aos 28 de agosto de 430 com 76 anos de idade, amargurado ao ver os bárbaros sitiarem sua cidade episcopal

CONTI, Servilio. O Santo de Cada Dia. Petrópolis-RJ, Vozes, 1990

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Santa Mônica

Amanhã comemora-se o dia de Santa Mônica. A seguir um pouco de sua história.

Santa Mônica

Santa Mônica

“Santa Mônica, mãe de Santo Agostinho, foi ao longo dos séculos o tipo de mãe cristã; a mãe forte, que por sua resistência, suas lágrimas e orações conseguiu a conversão de um dos maiores pensadores e santos da Igreja e da humanidade. O próprio Santo Agostinho diz que sua mãe: “que pela carne, concebeu seu filho para a vida temporal mas, pela fé e o coração, o fez nascer para a vida eterna”.

Santa Mônica nasceu em Tagaste, norte da África, por volta de 332, de família cristã.

Tendo chegado à idade própria para o casamento, foi dada pelos pais por esposa a um cidadão de Tagaste de nome Patrício, jovem pagão , rude. O caráter indômito do marido foi para Mônica fonte de sofrimentos e provocações mais duras. Mônica sofreu tudo com a maior paciência e mansidão, encontrando consolação nas orações que, fervorosas, elevava ao céu pela conversão do esposo. Deus recompensou esta dedicação e estas orações, podendo ela ver a conversão sincera do marido, que recebeu o batismo.

Do seu matrimônio, Mônica teve dois filhos, Agostinho e Navígio, e uma filha, Perpétua, que se tornou religiosa. O filho mais velho, Agostinho, foi sua grande preocupação, fonte de amarguras, motivo de lágrimas amargas.

Embora não lhe deixasse faltar bons conselhos e o educasse nos princípios da religião cristã, a vivacidade, a inconstância, o espírito de insubordinação de Agostinho induziram a mãe Mônica a protelar-lhe o batismo, com receio que ficasse uma graça profanada. De fato, Agostinho, morto o pai, aos dezessete anos, afastou-se de casa por motivos de estudos, tomando o caminho dos vícios. O coração de Mônica sofreu terrivelmente com as notícias dos desmandos do filho; redobrou suas orações, e certo dia, pedindo conselho e consolação junto a um bispo, este a animou dizendo:  “Continue a rezar, pois é impossível que se perca um filho de tantas lágrimas”.

Santo Agostinho

Santo Agostinho

Agostinho tornou-se um brilhante professor de retórica em Cartago mas, espírito irrequieto, se afiliou a seita herética dos maniqueus. Procurando fugir das instâncias da mãe aflita, às escondidas. Toma o navio rumando para Roma, e de Roma para Milão, onde consegue o honroso cargo de professor oficial de retórica.

Mônica em seu afeto de mãe, e mãe cristã, que deseja a todo custo recuperar o filho, viaja da África para a Itália à procura do filho, encontrando-o em Milão, onde, aos poucos, termina seu sofrimento. De fato, em Milão, Agostinho, inicialmente por curiosidade retórica, depios por interesse espiritual, tinha-se tornado freqüentador dos magníficos sermões do santo bispo Ambrósio. Aí se deu sua conversão: recebeu o batismo com seu filho Adeodato e o amigo inseparável, Alípio. Mônica colhia  os frutos de suas orações e de suas lágrimas.

Mãe e filho decidiram voltar para a terra natal, a África, mas, chegando ao porto de Óstia, perto de Roma, Mônica adoeceu e veio a falecer. Agostinho imortalizou estes últimos momentos escrevendo:

“Próximo já do dia em que ela ia sair desta vida, sucedeu que nos encontrássemos sozinhos ela e eu, apoiados a uma janela, cuja vista dava para o jardim interior da casa. Era em Óstia, onde apartados da multidão, após o cansaço de uma longa viagem, retemperávamos as forças para embarcarmos. Falávamos a sós, muito docemente esquecendo o passado e ocupando-nos do futuro, qual seria a vida eterna dos santos, que nunca os olhos viram, nunca o ouvido ouviu, nem o coração do homem imaginou. Nossos corações abriam-se ansiosos para a corrente celeste da fonte da vida divina”. Naquele momento, Mônica entregou sua bela alma a Deus. Corria o ano 387. Ela contava 56 anos de idade.

Seu corpo atualmente se conserva na Igreja de Santo Agostinho em Roma.

O proximo post será sobre Santo Agostinho. Aguardem

Fonte:

CONTI, Servilio. O Santo de Cada Dia. Petrópolis-RJ, Vozes, 1990

Santa Clara de Assis

Santa Clara de Assis

Santa Clara de Assis

Clara nasceu por volta do ano 1193, de uma ilustre família feudal de Assis. Em peregrinação à Terra Santa, sua mãe orava diante da cruz, quando recebeu a certeza que haveria de ter uma filha que iluminaria o mundo: chamou-a, portanto, Clara. Este nome parece ser bem a síntese da vida de Santa Clara.
Tinha cerca de dezoito anos, quando foi apresentada a São Francisco de Assis por seu primo Frei Rufino. Entusiasmada pelo tipo de vida do Santo das Chagas, procurou segui-lo na medida do possível. Era uma jovem rica, inteligente e extraordinariamente bela. Na primavera de 1211, na cerimônia dos ramos, o bispo, já avisado por São Francisco das intenções de Clara, desceu do altar e lhe entregou um ramo bento. Naquela mesma noite, fugiu de casa e se refugiou na Porciúncula, pequena capela, nos campos de Assis, que serviu de residência aos primeiros frades de São Francisco. Este lhe cortou os cabelos e lhe impôs o hábito cruciforme, o cordão e um véu negro.

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São Francisco de Assis

O procedimento estranho de Clara provocou os mais veementes protestos dos pais e parentes que tudo tentaram para tirar a jovem do convento. Clara opôs-lhes a mais firme resistência. Para despistar a busca da família, mudou-se de um lugar para outro; por fim, foi para a igrejinha de São Damião, onde surgiu seu primeiro convento que abrigou  as Damas Pobres chamadas também Clarissas.
Pouco depois, seguiram-na nesta vida de austeridade suas irmãs Inês e Beatriz. Enfim também a mão de clara quis terminar seus dias no convento das Clarissas. Em breve tempo, formou-se no convento de São Damião, sob a direção espiritual de Clara, numerosa comunidade de virgens, realizando, de modo eminente, a vida contemplativa do ideal de São Francisco de Assis, de1ntro do espírito da mais estrita pobreza. Aliás, durante toda a vida, Clara lutara para seguir de perto o tipo de pobreza ideado por São Francisco de Assis que as autoridades eclesiásticas daquele tempo julgavam incompatível com a vida religiosa em clausura.
A impressão que a figura nobre e extraordinariamente luminosa de Clara causava nos contemporâneos fica bem retratada na página do primeiro biógrafo de São Francisco, Tomás de Celano, que escreveu quando Clara ainda estava viva: “São Damião é casa bendita e santa, onde teve origem a gloriosa e nobilíssima Ordem das Irmãs Clarissas ou Damas Pobres.
Nela, a ilustre Clara, oriunda de Assis, qual pedra preciosa, serviu de base digníssima a todas as que deviam segui-la. Porque, depois da fundação dos frades, a nobre donzela, decidida a entregar-se unicamente ao Senhor, pelos conselhos do nosso santo, serviu de exemplo e guia a inumeráveis virgens. Nobre por descendência, foi mais nobre pela graça; virgem na carne e puríssima no coração; jovem de idade mas consumada na prudência; na caridade divina ardorosíssima amante; rica de conhecimentos e mais distiguida na humildade. Numa palavra, Clara por nome, mais clara na vida e claríssima nas virtudes”. Tomas de Celano, 1981
Durante o assédio dos bárbaros sarracenos contra a cidade de Assis, prevendo o assalto dos soldados ao convento construído no limite dos muros da cidade, Clara, embora doente, levantou-se se dirigiu ao altar do Santíssimo Sacramento, tomou nas mãos a custódia com a sagrada hóstia e se apresentou aos assaltantes. Apoderou-se dos sarracenos um pânico inexplicável. Os que tinham galgado o cimo do muro caíram para trás, os outros fugiram às pressas.
Clara veio a falecer na idade de 60 anos, no dia 11 de agosto de 1253, e sua fama de santidade foi tão rápida, que foi elevada às honras dos altares dois anos depois da morte. Suas irmãs estão, ainda hoje, espalhadas aos milhares, pelo mundo afora, vivendo o ideal de Clara.

CONTI, Servilio. O Santo de Cada Dia. Petrópolis-RJ, Vozes, 1990

São Lourenço

São Lourenço foi um dos santos mais venerados pela Antiguidade cristã e pela Idade Média: sua basílica em Roma, por importância, vem logo depois das Basílicas de São Pedro e Paulo: ela tem o privilégio do altar papal, onde só o Sumo Pontífice pode celebrar. Por que tanta devoção a este mártir? A coragem e o bom humor de que deu tantas provas no processo e no martírio impressionaram vivamente a piedade e imaginação popular. Como os grandes heróis da Antiguidade, ele foi cantado por grandes poetas, como Prudêncio e Dante na Divina Comédia, assim como foi representado por obras-primas de pintura”¹.

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Lourenço foi diácono da Igreja Romana, martirizado na perseguição do imperador Valeriano que, com seus editos, mandou fechar e confiscar todos os lugares de culto e os cemitérios cristãos e punir com exílio ou a morte os dirigentes das comunidades cristãs.

Lourenço foi o primeiro dos diáconos que assistiam ao papa em suas funções na celebração dos divinos mistérios, na distribuição da Eucaristia e na administração dos bens da Igreja.

A igreja, com efeito, tinha uma caixa comum, proveniente de esmolas e da administração dos cemitérios, que usava para socorrer os pobres, os órfãos e as viúvas. Por uma carta do Papa Cornélio, sabemos que a Igreja sustentava no século III, em Roma, mais de 1500 pobres. Por isso, quando na perseguição de Valeriano o Papa Sisto II foi preso e martirizado, o prefeito da cidade prendeu imediatamente a Lourenço e exigiu que entregasse as riquezas da igreja. “Dá-me um prazo”, teria respondido Lourenço, “e as entregarei”. Foram concedidos três dias. Foi o tempo necessário para que Lourenço reunisse no átrio os órfãos, os cegos, os coxos, as viúvas, os velhos… todos os que a Igreja socorria; então, chamando o prefeito, disse-lhe: “Aqui tens os tesouros da Igreja!”

Vendo-se assim iludido, o prefeito prorrompeu em raiva furiosa: “É assim que te atreves a zombar da autoridade romana? Miserável, se teu desejo é morrer, pois bem, hás de morrer, mas de morte longa e cruel”. Deu então ordem para que Lourenço fosse cruelmente açoitado e, ainda por outros modos, atormentado. Finalmente, mandou que trouxessem uma grelha, que foi posta sobre brasas. O santo diácono foi despido e colocado sobre a grelha. O semblante ardia-lhe de fogo divino. Tendo sofrido por algum tempo este horrível martírio, Lourenço, com um sorriso nos lábios, disse ao juiz: “Se quiserdes, podereis me virar, visto que deste lado já estou assado”. E pouco depois: “Agora, o meu corpo está completamente assado, pronto para ser comido”. E, continuando a rezar pelo bem da Igreja, pela paz do mundo, sereno e confiante, exalava seu espírito: era o dia 10 de agosto de 258.

Seu corpo totalmente queimado foi levado em triunfo e sepultado no cemitério cristão de Verano, onde surgiu a célebre basílica dedicada em sua honra. Mais outras sete Igrejas foram erguidas na Cidade Eterna em louvor ao grande mártir, cujo nome entrou no cânon da santa missa, privilégio reservado a pouquíssimos santos. E nós concluímos esta memória de São Lourenço com a oração da missa: “Ó Deus, o vosso diácono Lourenço, inflamado de amor por vós, brilhou pela fidelidade no vosso serviço e pela glória do martírio; concedi-nos amara o que ele amou  e praticar o que ele ensinou. Amém!”

¹ Pe. Luís Palacín. Santos do atual calendário litúrgico. São Paulo, Ed. Loyola, 1982, p. 22

Fonte: Dom Servilio Conti, I.M.C. op. Cit., p. 344

Santo Afonso de Ligório

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No dia 1º de agosto veneramos mais um gigante na santidade e na fecundidade de obras, no seio da Igreja: Santo Afonso de Ligório, bispo, escritor, poeta, musicista, Doutor da Igreja, fundador de uma das mais ativas e numerosas congregações religiosas: Os Padres redentoristas.

Afonso nasceu em Nápoles, Itália, em 1969, primogênito da nobre família dos Liguori. Do pai herdara uma vontade férrea, inteligência viva e perspicaz, enquanto que a mãe plasmou seu coração para a fé e a bondade. Seu pai destinou-o aos estudos das artes liberais, das ciências exatas, das disciplinas jurídicas, conseguindo Afonso, rápidos e surpreendentes progressos. Aos dezesseis anos doutorou-se em direito civil e eclesiástico e começou a colher louros e triunfos no foro. Seu pai sentia-se orgulhoso do brilhante futuro que se abria ao filho Afonso e já tinha preparado uma noiva, rica e nobre que lhe fosse companheira na vida. Mas Afonso acalentava ideais muito superiores.

Jovem e brilhante advogado tinha uma vida espiritual muito intensa: todos os anos fazia os exercícios espirituais. Além da piedade, da ciência, cultivava também a poesia e a música: deleitava-se em ouvir as obras de música clássica e, ele próprio, compunha e musicava hinos religiosos.

Como advogado, já de renome, recebeu uma causa de grande importância do Duque Orsini para defender, contra outro príncipe… mas, quando tudo parecia vitória, eis que por um imprevisto teve um revés. Então, Afonso decidiu abandonar definitivamente a advocacia, para dedicar-se às causas mais nobres na seara evangélica. Completou os estudos de teologia e foi ordenado sacerdote aos trinta anos. Esta mudança custou-lhe renhidas lutas com o pai, que não podia conformar-se com a escolha feita pelo filho, renunciando aos títulos de nobreza e à rica herança da família.

Desde então Afonso colocou suas altas qualidades de ciência e de oratória a serviço de Cristo, dedicou-se sobretudo à pregação com o lema: “Deus me enviou a evangelizar os pobres”. Vários fatores forçaram Santo Afonso a dar início a uma fundação de sacerdotes pregadores, que veio a chamar-se “Congregação do Santíssimo Redentor ou Padres Redentoristas“. Esta nova família religiosa dedicava-se à pregação de retiros, de missões populares, sobretudo, em favor das classes mais pobres, nas aldeias espiritualmente mais carentes…

À frente dos seus sacerdotes, Afonso percorreu cidades e vilas do sul da Itália, convertendo pecadores, reformando costumes, santificando famílias. Mais do que sua palavra, pregava seu exemplo de virtude, de penitência, de caridade e de santa inocência. O Papa forçou Afonso a aceitar a sagração ao episcopado em Santa Águeda dos Godos, que ele pastorou por 13 anos com sabedoria, zelo e firmeza, cuidando sobretudo da formação do clero.

Homem de ação vigorosa, Afonso foi também prodigioso escritor: deixou 120 obras, que tratam dos assuntos mais variados: tratados de teologia moral, em que Afonso foi mestre incomparável; livros de espiritualidade, meditação, retiros, sermões, etc. Foi um grande mestre espiritual e Doutor da Igreja.

Passou seus últimos anos afastado da diocese e da própria congregação, suportando sofrimentos físicos e provações morais que acrisolaram seu espírito.

Faleceu santamente com 91 manos de idade, no dia 1º de Agosto de 1787.

Fonte:  Santo do Dia, O -  DOM SERVILIO CONTI, I.M.C. – ED VOZES

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